Cancro da mama

29

Out

Daniela Monteiro

saúde

É um título agressivo, bem sei, mas não podia usar outro. Como devem saber, Outubro é o mês internacional de prevenção do cancro da mama, e como tal não podia deixar de vos falar sobre este assunto. Na verdade penso mais nas nossas leitoras jovens, que talvez não deem tanta importância ao assunto por, a priori, estarem menos em risco, ou tenham familiares mais velhos que não estão sensibilizados para este problema. Para quem ainda tem dúvidas sobre este assunto, ou talvez nunca tenha tido coragem de pesquisar por nem quererem pensar nisso, fica este post, com explicações breves.

O que é o cancro?

O cancro é a proliferação anormal de células. O cancro tem início nas células; um conjunto de células forma um tecido e, por sua vez, os tecidos formam os órgãos do nosso corpo. Normalmente, as células crescem e dividem-se para formar novas células. No seu ciclo de vida, as células envelhecem, morrem e são substituídas por novas células. Algumas vezes, este processo ordeiro e controlado corre mal: formam-se células novas, sem que o organismo necessite e, ao mesmo tempo, as células velhas não morrem. Este conjunto de células extra forma um tumor. Nem todos os tumores correspondem a cancro. Os tumores podem ser benignos ou malignos.

As células cancerígenas podem “viajar” para outros órgãos, através do sistema linfático ou da corrente sanguínea. Quando o cancro metastiza, o novo tumor tem o mesmo tipo de células anormais do tumor primário. Por exemplo, se o cancro da mama metastizar para os ossos, as células cancerígenas nos ossos serão células de cancro da mama; neste caso, estamos perante um cancro da mama metastizado, e não um tumor ósseo, devendo ser tratado como cancro da mama.

Fatores de risco

  • Envelhecimento.
  • Tabaco.
  • Luz solar.
  • Radiação ionizante.
  • Determinados químicos e outras substâncias.
  • Alguns vírus e bactérias.
  • Determinadas hormonas.
  • Álcool.
  • Dieta pobre, falta de actividade física ou excesso de peso.

Sintomas

  • Qualquer alteração na mama ou no mamilo, quer no aspecto quer na palpação;
  • Qualquer nódulo ou espessamento na mama, perto da mama ou na zona da axila;
  • Sensibilidade no mamilo;
  • Alteração do tamanho ou forma da mama;
  • Retracção do mamilo (mamilo virado para dentro da mama);
  • Pele da mama, aréola ou mamilo com aspecto escamoso, vermelho ou inchado; pode apresentar saliências ou reentrâncias, de modo a parecer “casca de laranja”.
  • Secreção ou perda de líquido pelo mamilo.

Deteção/prevenção

Incluí aqui a palavra prevenção, não por estes exames prevenirem o cancro, mas sim porque esta é das melhores medidas contra o cancro da mama: exames. Seja autoexame, exame clínico ou mamografia, permitem detetar tumores mais cedo e, caso sejam malignos, proceder ao tratamento o mais cedo possível, o que é crucial no combate ao cancro.

  • Mulheres com 40 anos ou mais, devem fazer uma mamografia (raio-X da mama) anualmente ou em cada dois anos.
  • Mulheres que apresentem um risco aumentado (relativamente à média) de ter cancro da mama, devem falar com o seu médico acerca de fazer uma mamografia antes dos 40 anos, e saber qual a frequência para as próximas.

Autoexame da mama

Mais uma vez, friso que é crucial realizar exames, nomeadamente o autoexame. Este, no entanto, deve ser feito com concentração e corretamente.

O auto-exame da mama deverá ser feito mensalmente, para avaliar quaisquer alterações nas mamas. Quando faz este exame, é importante lembrar que as mamas são diferentes, de mulher para mulher, e que podem surgir alterações, devidas à idade, ao ciclo menstrual, gravidez, menopausa, ou à toma de pílulas anticoncepcionais, ou outras hormonas. É normal sentir que as mamas são um pouco irregulares, e não lisas. Também é comum que as mamas se apresentem inchadas e sensíveis, no período antes da menstruação. Se notar algo não usual, durante o auto-exame da mama ou em qualquer outra altura, deve sempre contactar o médico, logo que possível.

A melhor altura para realizar o auto-exame da mama, é aproximadamente uma semana depois da menstruação (no fim do período menstrual). Se não tem uma menstruação regular, deverá realizar, preferencialmente, o auto-exame sempre no mesmo dia de cada mês.

Para realizar o auto-exame de forma correcta, deverá colocar-se de pé, em frente a um espelho, com os braços caídos ao longo do corpo. É importante estar relaxada e certificar-se de que pode fazer o auto-exame calmamente, sem interrupções.

1. Compare as duas mamas, tendo em atenção a forma e o tamanho. Não é invulgar que uma mama seja maior que a outra. Verifique se as mamas apresentam nódulos ou saliências; observe se houve alguma mudança no tamanho ou aspecto das mamas (como sejam a formação de rugas ou pregas, depressões ou descamação da pele). Verifique se os mamilos estão normais (ou, pelo contrário, se estão retraídos ou escondidos). No mamilo, tente detectar a possível presença de nódulos, o aparecimento de algum tipo de secreção ou perda de líquido. Observe as mesmas características mas, agora, com os braços em diferentes posições.

2. Levante o braço esquerdo. Examine a mama esquerda com a mão direita, pressionando com a ponta dos dedos. Palpe a mama esquerda, de forma minuciosa e calma. Comece pela extremidade exterior, realizando movimentos circulares. Palpe toda a mama. Examine, também, a área próxima da axila, passando pela clavícula, bem como a zona abaixo da mama.

3. Pressione, suavemente, o mamilo e verifique se existe algum tipo de secreção ou perda de líquido.

4. Repita os passos 2 e 3 mas, agora, na mama direita.

5. Repita os passos 2 e 3 nas duas mamas, deitada. Deve deitar-se de costas, com o braço sobre a cabeça e colocando uma almofada (ou uma toalha dobrada) sob o ombro do lado da mama que vai examinar.

É importante, lembrar que o auto-exame da mama não substitui a mamografia regular de rastreio.

Grande parte da informação neste post foi retirada do www.roche.pt e www.ligacontracancro.pt, onde podem encontrar muita mais informação sobre o que aqui foi dito. Espero que vos tenha servido de esclarecimento, e que partilhem este post com outras mulheres. “Cuidar, comunicar, conquistar”. Para todos os que sofrem, direta ou indiretamente, com esta doença, fica o meu desejo de rápidas melhoras e muita, muita força. 

Beijinho, dani

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um post bem util (infelizmente)