Mudança de curso superior

18

Ago

Daniela Monteiro

pessoal, universidade

Alguns dos nossos leitores saberão que eu nem sempre estive em Ciências Farmacêuticas – o meu primeiro ano de faculdade foi passado, na realidade, em Engenharia Química. Estamos em altura de colocações no ensino superior e, como tal, gostava de partilhar a minha experiência para talvez ajudar aqueles que não entraram no curso que queriam na decisão de ficar ou não. Vou tentar não vos dar demasiados conselhos, pois a escolha deve ser vossa, mas sim falar-vos sobre o meu caso e dizer-vos aquilo que ninguém me disse na altura. É um post longo – espero que consigam acompanhar!

Comecemos pelo início: o 11º ano. Embora no 10º ano os professores já falem sobre o ensino superior e os cursos/saídas disponíveis, é a partir do 11º, em que fazemos exames nacionais, que realmente começamos a avaliar as nossas opções conforme as nossas notas. A minha média desceu um pouco no 11º e, como tal, comecei a duvidar se seria possível entrar no curso de Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), como queria, cuja nota mínima na altura rondava o 17. Como tal, comecei a explorar outras opções, e encontrei a Engenharia Química, com nota mínima de 15, uma opção que, não sendo ideal, a priori me deixaria bastante satisfeita.

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Completando o 12º, a minha média praticamente manteve-se e, estando já perfeitamente convencida com Engenharia Química, foi essa a minha primeira e segunda opção (no Porto e Aveiro), seguida de Química, no Porto. Não, nem sequer incluí a FFUP na minha candidatura, pois pensava que não valia, de todo, a pena incluir. Nesse ano (2013/2014) houve uma baixa na média de vários cursos, entre eles Ciências Farmacêuticas, que passou a nota mínima de 15. Por esta altura, já sabia que tinha entrado em Engenharia Química, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP); sabia, também, que se me tivesse candidatado à FFUP, teria entrado. É nesta altura que temos de fazer a primeira decisão: concorrer na segunda fase, ou não? Percebam que, naquele momento, a minha mente estava perfeitamente direcionada no sentido de Engenharia Química, até já a considerar qual das saídas profissionais me agradavam mais e qual mestrado escolheria, pelo que Ciências Farmacêuticas era já um objetivo antigo e indefinido, o qual nunca tinha sequer sido seriamente considerado. Já conhecia a maioria das pessoas do curso e a faculdade. Tudo o conhecia me agradava. Como tal, decidi arriscar e ficar na FEUP.

Foi por volta de Novembro que comecei realmente a considerar a mudança de curso. Nessa altura já tinha falado com pessoas e professores que conheciam bem o curso, tinham noção do conteúdo das unidades curriculares e do mundo de trabalho envolvido, daquilo que o curso era no geral. E o curso de Engenharia Química na FEUP é muito físico e matemático. Embora haja inequivocamente uma base química, não era de todo o que eu estava à espera, ou o que queria. E é no momento em que nos confrontamos com o facto de não estarmos satisfeitos com o nosso curso, que nos surgem mil questões: eu quero deixar os amigos que conheci aqui para trás? as cadeiras que fiz, o tempo que passei aqui, quero perdê-lo? e se tentar fazer mudança, será que consigo? o que será necessário para fazer a mudança? e se a média da FFUP volta a subir? como é que os meus pais vão reagir?porto

O primeiro passo, para mim, foi falar com os pais. Sendo eles que pagam as propinas, não podia ser de outra maneira. Deram-me todo o apoio e levaram-me a continuar no curso depois do primeiro semestre, quando podia ter saído, até porque podia ainda mudar de ideias. No entanto, não aconteceu. A meio do segundo semestre comecei a estudar para repetir os exames nacionais, pois tinha receio que a minha média não fosse suficiente e não queria arriscar. Entretanto, decidi não pedir mudança de curso, empenhar-me no tempo que me restava nos exames nacionais, confiar nas minhas capacidades e concorrer por concurso nacional (tal como se tivesse acabado de completar o secundário), para entrar para o primeiro ano. Felizmente, tudo correu pelo melhor, subi a média e entrei na FFUP sem sequer ficar entre os últimos colocados.

Agora que conhecem a situação, dou-vos alguns conselhos.ffup

Antes de mais, se não entrarem no curso que querem na primeira fase mas sim noutro que também vos agrada, embora não seja a primeira opção, informem-se (muito depressa, que o intervalo de tempo entre a primeira e segunda fase de candidaturas é mínimo) ao máximo sobre os dois cursos. Não façam o que eu fiz, não pensem que uma ideia vaga chega e não confiem que o resto vos vai agradar; informem-se, e de preferência, com professores ou alguém que já fez o curso. Escolher entre dois cursos nesta altura é difícil, pois ainda não temos uma boa ideia do que é nem um, nem outro.

Se estiverem a considerar mudar de curso, decidam desde cedo se querem passar para o primeiro ano do outro curso, ou se querem entrar no segundo ano. Claro que entrar para o segundo ano só será uma opção se as cadeiras que já fizeram forem semelhantes e se as notas que tiveram o justificarem, para além de que a mudança de curso pode ser difícil, uma vez que as vagas são muito poucas. Uma vez que nada disto aconteceu no meu caso, preferi mudar para o primeiro ano, e não me arrependi, pois consegui entrar e subir as notas. Algumas cadeiras eram até mais difíceis na FFUP, como o caso da cadeira de Química Orgânica, mas tendo as bases que aprendi na FEUP, obtive uma nota que me agrada. Por isso mesmo, não sinto que tenha “perdido” um ano, ainda que não tenha pedido equivalências. Já agora, informem-se na vossa faculdade, pois nem sempre é necessário entrar por transferência para pedirem equivalência de cadeiras.

É importante terem noção das vossas capacidades. Eu estava bastante confiante que conseguia entrar na FFUP por concurso nacional, daí nem ter pedido a mudança de curso, mas se não se sentirem confiantes, aconselho-vos a tentarem pelos dois caminhos (se conseguirem). Pensem também no que querem fazer, caso não consigam entrar.

Não se preocupem com o que os vossos pais, professores, família e periquito vão pensar. A vida é vossa, e ninguém tem o direito de julgar a vossa escolha, seja mudar de curso ou mesmo sair da faculdade. Não é uma escolha fácil, e quando mais tarde olharem para trás, vão querer sentir que fizeram o que queriam. Eu tive até um professor na FEUP que me disse que era muito improvável entrar na FFUP. Acredito que neste momento se sinta destroçado.

Por fim, não pensem que se vão afastar dos vossos amigos! Os amigos mais próximos que fiz na FEUP ainda hoje estão comigo, para além do meu namorado, que conheci na FEUP. Continuam todos lá (aliás, uma amiga mudou-se comigo para a FFUP, mas por mudança de curso), a começar o terceiro ano, eu estou a começar o meu segundo, e não podia sentir-me mais realizada. Não tenho qualquer arrependimento, pois ganhei muito mais do que perdi no ano passado.

Espero que vos tenha ajudado! Se tiverem alguma dúvida, não hesitem em perguntar, e tentarei esclarecer-vos o melhor possível. Beijinho, dani

imagens: Rita Martins e autoria própria

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Alexandra Ferreira diz:

Olá! Obrigada por este post, Engenharia Química (Aveiro/Coimbra) é o meu curso eleito para as opções da segunda fase. Na primeira fase não pude usar um dos exames e não pude colocar Engenharia Química como opção mas na segunda fase espero ter vaga para mim. Gostava de saber mais ao pormenor o que não gostaste no curso. Sei que varia um pouco  de universidade para universidade mas, tenta ser imparcial (isto porque acima dizes que não era o que esperavas), que resumo farias do curso?

Obrigada e um beijinho de alguém que está a morrer de curiosidade!
Alexandra Ferreira Smile

Daniela Monteiro diz:

Olá Alexandra! Tens de ter presente que só fiz o primeiro ano, embora conheça de perto o segundo ano, uma vez que os meus amigos me falam imenso das cadeiras. É um curso muito pesado em matemática, sobretudo cálculo (Análise Matemática I, II e III), com alguma estatística (Matemática Aplicada à EQ). Claro que a matemática pouco tem a ver com a de secundário, mas isso é válido para tudo no ensino superior haha
Tens também bastante física (Física I e II), seja mais focada em movimento, como no primeiro ano, ou fluidos e transferências, nos próximos anos (Mecânica de Fluidos e Fenómenos de Transferências I e II, por exemplo, no caso da FEUP). Também estudas materiais no 3o ano, se não me engano. Há cadeiras em que falas mais sobre reatores e aplicações mais diretas, como Elementos de EQ I e II e Práticas de EQ
Repara que já me fartei de falar sobre o curso, referi 13 cadeiras, e ainda nem toquei na Química! Foi precisamente isso que me faltou no curso… Tirando o primeiro ano (Química Orgânica I e II e Fundamentos de Química I) e Ciências Biológicas, no segundo ano, a maioria da química que abordas é na perspetiva da Termodinâmica, calores de reação, rendimentos, etc. Acredita que estou aqui à luta a tentar pensar em mais cadeiras de química propriamente dita, mas é mesmo só essas quatro. Eu, que adoro Química mas também Biologia, não ia de maneira alguma tolerar o curso, quanto mais gostar dele. O primeiro ano era o que tinha mais química, e eu já achava pouco! No entanto, se isso não for um problema para ti, não tens razões para te preocupares!

Se tiveres mais alguma dúvida, não hesites em perguntar. Posso até perguntar ao meu namorado, que saberá esclarecer melhor que eu Smile Beijinhos!

Joana diz:

Olá Daniela. Para começar quero dizer que gostei bastante deste post, é muito importante reflectirmos e analisarmos tudo antes de tomarmos uma decisão como essa, que vai influenciar (e muito) o nosso futuro.
Ao ler o que escreveste sobre a tua situação fiquei com uma dúvida e queria saber se a conseguias esclarecer. Eu acabei este ano o 12º ano em Línguas e Humanidades e já enviei a minha candidatura ao ensino superior, meti em primeira opção o curso que eu queria (Ciência Politica e Relações Internacionais) na Universidade Nova de Lisboa no entanto tenho um valor a menos da média do ultimo colocado do ano passo, e em segunda opção coloquei então outro curso da Nova (Sociologia) para o caso de não entrar na primeira opção, para depois poder mudar de curso (pois acho que será mais fácil mudar de curso estando já na fac pretendida). Caso não entre na minha primeira opção nesta primeira fase, estava a pensar tentar a segunda fase também, mas não sei se isso altera em algo a minha candidatura na primeira fase…
Gostava portanto de saber como é que funciona a segunda fase e quais é que são as ‘consequências’ de me candidatar à mesma.

Obrigada! Beijinhos!

Daniela Monteiro diz:

Olá Joana! Deixo-te aqui alguma informação sobre isso: http://www.dges.mctes.pt/DGES/pt/Estudantes/Acesso/ConcursoNacionalPublico/OConcursoNacional/

Se bem me lembro, se concorreres à 2a fase e não ficares colocada, a inscrição/matrícula que fizeste correspondente à 1a fase mantém-se, ou seja, não perdes nada. Para confirmares, pergunta aquando da tua matrícula.
Quanto a ser mais fácil mudar de curso estando na faculdade: tecnicamente só podes mudar de curso ou pedir transferência se estiveres a frequentar o ensino superior, caso contrário só poderias concorrer por concurso nacional. Portanto, ser mais fácil ou difícil é relativo… De qualquer forma, tal como disse no post, normalmente as vagas para mudança/transferência de curso costumam ser escassas (menos de 10) e, em algumas faculdades, nem sequer abrem vagas. Beijinhos!

Ana diz:

Ola Daniela eu entendo tudo que disseste sobre a mudança porque eu tambem estive na mesma situação so que foi no secundario. Durante 2 anos estive em humanidades e  sempre tive essas questoes na cabeça. Ate que cheguei ao 11 ano e decidi que nao queria continuar em humanidades e ir para a area da ciencia neste caso saude e agora estou naquilo de que sempre sonhei em estar. Mas ao principio foi dificil cheguei mesmo a pensar que nao deveria ter saido de humanidades. Mas agora sei que fiz a coisa certa. 
Beijinhos

Jéssica diz:

Nao fazia ideia que estavas em CF Smile Eu vou agora para o segundo ano mas estou na FFUC! No entanto tenho amigas que estao na FFUP e tambem vao para o segundo!

Daniela Monteiro diz:

Olá Jéssica! Também conheço quem tenha vindo da FFUC para cá Smile  Beijinhos

Sempre fui mais virada para as letras, tanto que segui essa área no secundário e em 2006 entrei no curso de Serviço Social… O curso correu muito bem, média bastante boa (terminei a licenciatura com média de 16) mas nunca senti aquela paixão, nunca senti que realmente aquela área era a minha vocação… Entretanto já se passaram 6 anos após a conclusão da licenciatura, já trabalhei na área, mas pondero seriamente voltar a estudar e, imagina, Ciências Farmacêuticas!! Nada a ver, mas todo o mundo da Química me fascina… Já a caminho dos 28 anos espero conseguir conciliar trabalho e estudos e embarcar nesta aventura Smile
Com isto quero também dizer que nunca é tarde, e quando sentimos que nos falta algo, que nos sentiríamos mais realizadas profissionalmente noutra área, acho que devemos arriscar pois, tal como disseste, ganhamos sempre muito mais do que perdemos! Beijinhos*

Catarina diz:

Adorei este post! Ciências Farmacêuticas e Engenharia Química são as minhas opções de candidatura para este ano e posts deste género dão imenso jeito.